sexta-feira, 25 de abril de 2008

Cravos, papoilas e radiotelescópios

Na Austrália o 25 de Abril também é celebrado. Não a nossa revolução, claro. Aqui o símbolo usado não é o cravo, mas a papoila. É feriado. É o "ANZAC day". Surgiu como o dia em que eram lembrados os soldados australianos que participaram - e mais de 8000 morreram - na batallha de Gallipoli, na Turquia, em 25 de Abril de 1915, na 1ª Guerra Mundial. Na verdade os australianos faziam parte do exército britânico. ANZAC provém de Australian and New Zealand Army Corps. As celebrações, actualmente, lembram e simbolizam o respeito por todos aqueles que lutam, lutaram e morreram em guerras, na defesa do país e dos seus valores. Inicia-se com uma cerimónia antes da alvorada - como recordação dos momentos de paz e quietude que os soldados da batalha sentiram, antes do desembarque ao nascer do Sol, na península de Gallipoli. Prossegue, durante o dia, com desfiles de batalhões e corpos de exército, presentes e passados.

Nós fomos ver o desfile. Os três, eu o Armando e a Iris, claro. Foi emociante. Eu que não sou australiana bati palmas, especialmente aos senhores idosos, mas orgulhosos que desfilavam com as medalhas ganhas pelo desempenho na 2ª Guerra Mundial - terão agora à volta de 80 anos. Claro que alguns daqueles batalhões já só têm meia-dúzia de sobreviventes, ou menos. É muito interessante. É um dia de orgulho nacional. Não se comemora a guerra, mas a coragem. Presta-se homenagem aos soldados, às famílias e a outros intervenienetes, como médicos e enfermeiros. Infelizmente, não levamos a máquina fotográfica.

Que bom, dissemos nós, vamos poder comemorar o ANZAC day com a nossa filha em Portugal, juntamente com o nosso 25 de Abril. A nossa filhota Iris que fez recentemente 9 meses. Ainda não anda, mas está quase. Já se mantém de pé sem apoio uns segundos. Despontou, há uns dias, o seu 3º dente e o 4º está lá a espreitar.

Fomos a Sydney há 2 semanas. Ela portou-se muito bem. Foram um total de 2600 Km de carro durante os quais tivemos que usar muita da nossa imaginação e todas as canções do nosso reportório infantil para a manter feliz, presa no assento de bébé. Ficou doente pela primeira vez. Teve febre e diarreia. Não por causa da viagem; apanhou um vírus da Cocoro antes de ir (uma bébé que conhecemos da mesma idade). Mas melhorou rapidamente. Teve que tomar panadol, que tem um sabor horrível e, obviamente, ela detestou.

Fomos pelo interior e viemos pelo litoral. Vimos plantações de algodão, cana de açúcar, banana e outros. Apenas 2 cangurus atravessaram a estrada um pouco à nossa frente, felizmente... Eles podem causar muitos danos nos carros e ocupantes. No interior, talvez metade do trânsito que passava por nós era camiões. Imagine-se que estes têm uma grades bem potentes na frente, para se protegerem do impacto desses bichos que podem ser bem grandes... os cangurus. Vimos muita terra! Mais para o Sul, no interior, mas já relativamente perto do litoral, cidades como Orange podem ser imaginadas como existindo na europa, com muito verde, plátanos e construções mais resistentes aos frio. A meio caminho entre Orange e Sydney ficam as Blue Mountains. Na realidade não são bem montanhas, mas antes uma floresta com elevadas formações rochosas e gargantas que fazem lembrar desfiladeiros ou canyons cobertos de uma densa floresta verde, aliás, com uma tonalidade azulada!

Visitámos o radiotelescópio de Parkes que esteve envolvido na recepção das primeiras imagens do Homem na Lua e no salvamento da Apolo 13. Continua a ser utilizado em investigação e nós tivemos a sorte de presenciar a rotação do enorme disco de 64 m de diâmetro para focagem de outro ponto no espaço.

Sydney, bem, já toda a gente conhece, com a sua famosa ponte onde especialmente se celebra a entrada em cada novo ano, a sua baía e a sua famosa ópera. O centro é muito bonito. É uma cidade muito grande, em extensão pelo menos, com muitos subúrbios e tráfico automóvel que me fizeram recordar um pouco Londres.

Regressamos com paragem em várias praias e estuários, tudo muito bonito.

segunda-feira, 24 de março de 2008

8 meses

É uma aventura, para nós, ver a Iris crescer. Mas, quem vive a maior aventura, é a própria Iris. Ultrapassar todas as barreiras que a natureza lhe exige para sobreviver, traduz-se numa procura constante de coisas novas, numa luta permanente para desenvolver o seu corpinho e mente.


Passou rapidamente da fase de gatinhar para a fase de se levantar e querer chegar a tudo o que está mais acima. Já utiliza a cadeira como andarilho e já sabe contornar obstáculos para chegar onde quer como, por exemplo, almofadas postas propositadamente no caminho dela.


Para além deste desenvolvimento do seu pequeno mas extremamente activo cérebro, o que mais nos
surpreende é o facto de já entender quando está a fazer alguma coisa que nós não queremos, como seja, por uma folha na boca que apanhou do chão ou tentar ir mexer num interruptor eléctrico. Quando nós dizemos ahh, ou ai, ai, não, ou simplesmente chamamos pelo nome dela com uma entoação diferente, ela sabe que não deve fazer isso e pára; às vezes, desiste, outras, claro, acaba por tentar repetir, momentos mais tarde. Adora todo o tipo de jogos e de brincadeiras; desde que seja estimulada e acarinhada, está feliz. Começa a combater o momento de dormir as suas sestas já que o mundo que a rodeia lhe parece, certamente, muito mais interessante. Está bem desenvolvida, um pouco à frente para a idade. Fez ontem 8 meses - 8 meses de aventura que ela e nós desconhecíamos.

sábado, 1 de março de 2008

Coisas típicas australianas

Já passou mais de 1 mês desde o último texto que aqui escrevi! A Iris já tem sete meses. As semanas correm, umas atrás das outras, agora com a Iris, mais rápido do que nunca. Há um mês ainda não gatinhava, agora, para além de já correr os cantos da nossa sala, já se põe de pé sozinha, agarrada a uma cadeira ou qualquer outra coisa que apanhe a jeito. Depois olha para nós a sorrir, como que a dizer, estais a ver o que eu já consigo fazer?! Foi a mesma coisa, das primeiras vezes que se colocou na posição de gatinhar. Assim, já se entretém sozinha mais facilmente.

Um outro dente veio a seguir ao primeiro, mas para já ficou-se por aqui. De uma forma natural vai provando e comendo mais quantidade (umas 2-3 colheres de sopa!) e mais variadade de comida, para além do leite. Gosta do que tem carne, como galinha ou bife e continua a gostar da maioria da fruta. Ainda acorda 2 vezes de noite para mamar. Confesso que, a maioria das vezes, é para mim um esforço bem grande, ter que acordar após umas 2 horas de sono. Interessante, como inicialmente, não custava nada. Hormonas!!

Temos posto a tocar, quase diariamente um CD de música popular australiana. Porque dizem que a música ajuda o desenvolvimento dos bébés, porque é uma forma diferente de a entreter e porque é também uma forma de lhe ensinar inglês. Das primeiras vezes, era muito interessante observar a surpresa estampada na cara da Iris, a olhar para o computador de onde vinham os estranhos sons. Agora, até já dança ao som da música! São músicas muito engraçadas que falam das coisas típicas da austrália... o hino (australian fair), os churrascos (barbecue), as cucabaras (kookaburra, o pássaro que ri), as árvores resinosas (gum tree, como eucaliptos), o vegemite (um creme de barrar horrível, mas segundo os australianos muito saudável, equivalente ao marmite da Inglaterra), os cangurus e até a gelatina "Aeroplane" (Aeroplane Jelly). Já sabemos umas quantas letras de cor, ou pelo menos os refrões! Claro que não deixamos de cantar canções em português!

Outra realidade australiana são as piscinas. (Para tornar o blog menos enfadonho para quem o lê e não tem filhos, resolvi começar a escrever mais sobre a Austrália, relacionando a nossa vida com coisas interessantes da sua cultura). A maioria das casas tem uma piscina no quintal!! Pelo menos, aqui no estado de Queensland que é o mais quente. Assim há todos os anos várias crianças que morrem por afogamento. :-( Uma campanha que têm feito por cá diz "Kids alive - do the five!" ... 5 regras para ajudar a combater esta tragédia, a saber, 1. vedar a piscina, 2. manter sempre a porta da piscina fechada, 3. ensinar os miúdos a nadar, 4. supervisionar sempre e 5. aprender a ressuscitar. Assim, e para concluir, nós seguimos os conselhos e levamos a Iris para aulas de natação que aceitam bébés desde os 6 meses!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O dia da Austrália, o primeiro dente e outras histórias

Hoje é feriado aqui na Austrália. Festeja-se o dia da Austrália (que, por acaso foi no Sábado, dia 26, mas como calhou no fim de semana, passou para Segunda-feira). No dia 26 de Janeiro de 1788, a frota comandada pelo capitão Phillip, da Inglaterra, atracou na baía que é hoje a baía de Sydney. Os navios traziam entre outras coisas muitos condenados da Inglaterra. Lembra-se assim as origens e comemoram-se o progresso e as conquistas da Austrália. Claro que quem não gosta muito da escolha deste dia são os aborígenes. O mais interessante disto tudo é a forma como se comemora este dia. Ao invés da seriedade das comemoração do dia nacional que ocorre em Portugal e em muitos outros países, aqui é mesmo um dia de festa, com concertos, muitos piqueniques , churrascos, cerveja, bandeiras e ovações à Austrália. Há condecorações para o jovem, o idoso e o "adulto" australiano do ano, como reconhecimento dos feitos de cada um, mas atribuídas num ambiente de festa e transmitidas pela TV.

A Iris é australiana e portuguesa. Assim sendo, teremos que lhe ensinar muitas coisas sobre o país onde nasceu. Neste momento, pouco lhe dizem estas coisas!... Por agora, voltou às falas, desta vez numa variedade de sílabas indecifráveis. Estando bem disposta não se cala... guégué, bababa, taté, dada, jeje...etc, etc. Corre o chão, à volta do seu centro de brincadeira, a dar à treta e à procura de coisas novas, arrastando-se, porque ainda não sabe como gatinhar.

Foi também no Sábado passado que o Armando deu por ela que já tinha saído o primeiro dentinho das suas gengivas. Foi muito engraçado. Ele deixou-a morder o dedo dele e sentiu algo rugoso... era o primeiro dentinho, em baixo do seu lado esquerdo. Foi uma surpresa, pois não tínhamos notado grandes mudanças no seu comportamento. Ela quer morder tudo à sua volta, é verdade, mas isso já acontecia há uns 2 meses.

E pronto, para que o blog não seja apenas sobre a Iris, se bem que ela seja, por agora, o centro da nossa vida, mostro uma fotografia de momentos antes da minha partida para um dos meus dias de trabalho! Demoro cerca de 25 min. No total, quase o mesmo que a viagem de autocarro (caminho para a paragem e viagem). O pior são as subidas e descidas... mas o banho na universidade, à chegada, sabe mesmo bem!


sábado, 19 de janeiro de 2008

Tantos vestidos!


Faz quase um mês que não escrevo. Passou-se o Natal, o Ano Novo e o regresso ao trabalho. E claro, mais algumas pequenas etapas no crescimento da Iris.

Durante a época festiva a Iris recebeu vários presentes, na sua maioria vestidos. Ela fica muito bonita. Ainda não tivemos oportunidade de experimentar todos, já que em casa ela anda, geralmente, só de fralda. Assim, só os usa quando sai ou quando está um pouco mais de frio.


A Iris começou a comer o que eles chamam aqui de sólidos. Até agora já comeu papa de arroz, maça, pera, banana e batata doce. No entanto só comeu umas colherzinhas de cada vez. A ideia é habituar o aparelho digestivo dela e desenvolver o seu paladar. O que ela mais gosta é de maça e de banana. Também já bebe mais leite feito a partir de leite em pó, já que o meu está a diminuir... consequências do regresso ao trabalho. E consegue segurar no biberão!!

Mas, o mais engraçado desta fase do seu crescimento, para além dos seus sorrisos e gargalhadas, é a procura constante por coisas novas; quer apanhar tudo e meter tudo na boca. Como consequência já se movimenta muito mais no chão e já se colocou várias vezes de gatas, mas não sabe o que fazer e não aguenta, pelo que... pum... acabar por ficar de barriga no chão outra vez. Esta semana, começou a tentar erguer-se e colocar-se de joelhos, ora amarrando-se à cama ora, a outra coisa qualquer, como por exemplo, a mim, ou à sua cadeirinha de baloiço.

Por altura do Natal já dizia bb..bb.. e passados uns dias baba, papa, e até o que parecia mama, olá e mãe. No entanto, agora, quase deixou de "falar"; julgo que o mundo físico à sua volta a interessa mais: mexer em tudo é mais excitante.

Apesar de ser tudo muito excitante para nós, por vezes, sentimo-nos cansados. Não temos muito descanso durante o dia, pois ela só dorme sonecas de 30 min a 1 hora. Só quando a deitamos à noite temos um tempinho para nós. Para além disso, voltou a acordar 2 vezes durante a noite, em vez de apenas 1 como já tinha acontecido antes. Talvez seja por causa do meu regresso ao trabalho, por causa do calor, porque de dia quer brincar e não se alimenta bem, ou apenas, porque a natureza é assim mesmo.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Surpresa de Natal

Esta é a minha grande surpresa de Natal para o meu cara-metade Armando. Criámos este blog ainda a Íris não era nascida e temos pensado que o tempo não tem chegado para o preencher. Pelo menos, é o que o Armando pensa. Eu, às escondidas, - quando ele vai trabalhar - tenho escrito por aqui umas notas. Espero que ele goste. A partir do Natal vamos passar a divulgar o blog aos amigos e família.

Amanhã a Íris faz 5 meses! No dia da ceia de Natal vamos lhe dar papa pela primeira vez. Uma colherzinha só, como recomendam os mais sabidos nestes assuntos. A capacidade dela em agarrar objectos tem crescido de dia para dia, agora já não se limita a agarrá-los e metê-los à boca, mas brinca com eles, atirando-os para o chão e agarrando-os novamente, até se cansar da brincadeira. Quase já se senta sozinha. Com a ajuda de almofadas aguenta um bom tempo nessa posição. Não tarda muito, não vamos usar mais a cadeira de baloiço.

E pronto, vamos passar o primeiro Natal com a nossa filha. Ela também vai ter prendas. Não posso dizer o que é! O que ela gosta sempre mais é do papel de embrulho (adora amassá-lo e metê-lo á boca)! É tudo o primeiro, ou a primeira vez. Parece uma monotonia, mas não é. É assim mesmo, tudo é uma novidade para nós.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Regresso ao trabalho

Faz amanhã duas semanas que regressei ao trabalho. O Armando toma conta da Íris enquanto vou trabalhar. Combinamos que eu iria tentar tirar leite manualmente. No primeiro dia já tinha um bom conjunto de porções guardadas no congelador. Experimentamos uma vez, antes de eu ir trabalhar dar-lhe biberão. Ela reagiu bem. Assim, lá fui descansada, embora, claro um pouco triste por a deixar.

Nos primeiros 2 dias ela ficou bastante zangada comigo, apesar de o Armando a levar na hora do almoço e ela mamar nessa altura. No fim do meu dia de trabalho eu olhava para ela e ela virava a cara. No entanto, a demonstração de desagrado mais interessante foi o facto de eu falar para ela, tentando fazê-la sorrir e ela nada. Logo a seguir, o Armando falava para ela e ela sorria abertamente. Eu não fiquei chateada. Mais dia menos dia teria que acontecer e eu sabia que ela ficava muito bem. O que nos deixou mais preocupados foi que ela não quis mamar do biberão na tarde do primeiro dia. Só aconteceu dessa vez. Agora ela já reconhece o biberão e estende as mãos para o agarrar.

Pelo meu lado, não tem sido mau regressar ao trabalho, sentir estou a regressar um pouco à normalidade. mas, ao fim de cada dia o cansaço é grande e felizmente tenho que tirar um dia por semana para ficar em casa, já que o Armando também tem que ir trabalhar. Tentamos, mas não conseguimos deitar-nos cedo. Só depois de deitar-mos a Íris, entre as 9 e as 10 da noite, temos alguns momentos livres para tratarmos de outras coisas ou apenas para nos sentarmos no sofá descansados e é difícil resistir a ficar sempre mais um pouco.

A Íris não pára, está mais curiosa do que nunca e já se desloca, arrastando-se sobre a manta no chão, em busca de coisas novas e de outras perspectivas. Nas suas voltas, às vezes acaba meio de baixo do sofá. Quer agarrar tudo e é cada vez mais difícil conseguir que fique muito tempo satisfeita no chão.