quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O nascimento do nosso segundo fruto

No dia 15 de Setembro, às 14:42 nasceu a nossa segunda filha Eva. Pesava 3430 g e media 50,5 cm. Olhei para ela e vi que era aparentemente perfeitinha!... Apesar das ecografias, na verdade, só acreditamos vendo. Quando nasceu estava um pouco mais branquinha do que a Iris, mas a enfermeira disse que era normal e eu sosseguei. Tal como a Iris, depressa encontrou a maminha e passou uma meia hora no conforto do meu peito. Eu e o Armando mal acreditávamos como foi tudo tão rápido... O trabalho de parto, demorou pouco mais do que 1h30, na fase mais séria!

Decidimos que, em princípio, eu não iria querer a famosa anestesia epidural. Digo decidimos porque apesar de ser eu quem teria de sentir a dor física, provavelmente, não conseguiria manter essa decisão sem o apoio do Armando, quer psicológico, quer físico, na altura do parto. Não tive anestesia aquando do nascimento da Iris e é facto sabido que o segundo parto é, geralmente, mais fácil do que o primeiro, pelo que eu achava que aguentaria mais uma vez sem anestesia. A diferença entre Portugal e a Austrália foi que, nas poucas visitas ao hospital que antecederam o nascimento, aqui fomos tratados como anormais, em vez de apoiados nesta nossa decisão. Um médico disse que esperava que tivessemos bom senso, e uma médica perguntou se eu não tinha sentido dor... O nosso medo era que me obrigassem a estar "presa" à cama, já que sabíamos que a movimentação durante a dilatação era essencial para ajudar ao processo e a superar a dor.

O parto foi ligeiramente induzido, já que eu sentia contracções e tinha alguma dilatação, desde umas 2 semanas antes do nascimento. Puseram-me a receber uma dose ligeira de oxitocina, a hormona do amor, e glicose. Passada 1 hora, a parteira rebentou a bolsa das águas e, a partir desse momento, é que as contracções mais dolorosas começaram. Tivemos então que pôr em prática algumas das técnicas de relaxamento que aprendemos na Austrália (mas que não fazem milagres). A parteira deixou-nos à vontade e disse que podia me levantar, desde que os tubos não se soltassem. Só voltou depois de passada cerca de 1h30, e mal teve tempo de colocar as luvas e preparar a cama. Ao fim de 2 min a Eva nascia. Antes de a enfermeira aparecer eu já tinha sentido a Eva a querer sair. Apesar de termos tocado à campaínha antes, foi nos dito que as enfermeiras e médicos estavam a ver os monitores lá para dentro. Felizmente tudo correu bem, mas a ausência de acompanhento rondou a negligência. Não fosse a simpatia e, apesar de tudo, competência da parteira, aliadas ao facto de que até estivemos bem os dois sozinhos, teríamos provavelmente, feito uma queixa. Assim, e ao fim e ao cabo, nem houve tempo para nos proporem a epidural! Ao fim de 48 h já eu andava perfeitamente, subindo escadas e fazendo algum trabalho doméstico.

Durante os primeiros dias não me cansava de olhar para ela e ficar surpreendida com a sua semelhança com a Iris. Faz hoje 1 mês. Já engordou 1 kg. E melhor ainda, ... quase não chora, nem tem muitas das famosas cólicas que justificam todos os choros dos bébés! Assim, temos mais tempo para redobrar as atenções sobre a irmã mais velha.
A Iris, agora quase com 2 anos e 3 meses, demorou uns dias a habituar-se, mas já quase não tem atitudes de ciúme. Gosta de deitar-se ao pé da Eva e de lhe dar beijos. A Iris, claro, continua a ser a nossa filha querida. Já repete tudo e faz frases elaboradas de autoria própria. Já não usa fralda, excepto para dormir. Adora livros, passando muito tempo de volta deles. São os objectos de eleição que muitas vezes quer levar para a creche, para mostrar aos seus amiguinhos. O principal motivo será, possivelmente, a lembrança, na sua mente, da leitura que o pai lhe faz desses livros antes de ir para a cama. Gosta também muito de montar puzzles (já consegue montar sozinha, puzzles de 6 e 9 peças!), de brincar com plasticina e de ver a Sésame Street, ou o Becas como ela diz. É muito independente, não gosta de receber nem de dar beijos, nem que a peguem ao colo, excepto se for o pai ou a mãe. Agora está na fase do NÃO, pelo que evitamos lhe fazer perguntas. O "negócio" e uma espécie de "chantagem", vão funcionando bem, para a obrigar a fazer o que não quer. É uma trameleira, como diz o pai.
Cá deixo figuras de uma vida a 4 que espero sirvam de alguma inspiração para famílias a 3...
ps: O prometido no último post sobre uns comentários da nossa vida cá comparada com a da Austrália, fica para outra altura, até porque seria com certeza controverso!...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Três meses passados!

Ai! Ai! Lá se foram 3 meses intensos onde pouco tempo sobrou para escrever um post.

Terminados os meus trabalhos na universidade de Queensland, chegaram as merecidas férias. No fim de Julho, chegou a minha irmã e amigos para uma viagem pela Austrália. De muitas coisas me recordo, mas uma, em especial, vale a pena realçar: a chegada das visitas e a reacção da Iris. Eu estava em casa e o Armando tinha ido buscá-los ao aeroporto. Chegaram, beijinhos e abraços e a minha irmã pegou na pequenota ao colo. Ela não chorou e, em pouco tempo, andava no colo de todos e a rir-se com todos. A empatia foi imediata. Talvez ela tenha reconhecido que falavamos todos a mesma língua (e não aquela coisa diferente que costumavamos falar com os nossos amigos australianos). Talvez ela tenha pressentido que eram família, ou amigos como família. Talvez as duas coisas.
Lá fomos, éramos 7, contando com a Iris. Alugamos um carro e fizemos mais de 2000 km em cerca de 10 dias. Coisa pouca se pensarmos nas dimensões da Austrália. A Iris protestou um pouco por andar tanto de carro, presa na sua cadeira, mas adaptou-se bem à mudança. Cada dia que passava adorava mais a minha irmã e os nossos amigos, João, Adélia e Teles.

No dia 14 de Agosto, regressei a Portugal com a Iris e as visitas; o Armando ficou a organizar as coisas na Austrália e a juntar mais uns trocos. Regressa em menos de 1 mês. A viagem de avião, ou antes, as viagens, correram todas bem. A Iris chorou um pouco num dos voos, mas no mais longo, de 12 horas, nem uma vez se queixou. Comeu dormiu e brincou. Foi impressionante. Nós é que descansamos menos, claro.
Chegamos e a família estava toda à espera. A pequenota voltou a revelar-se. Foi para todos os colos sem se lamentar. Sorriu e adaptou-se à nova realidade. Passado uns dias, ela estava a choramingar por uma razão qualquer. Um dos meus irmãos disse que pensava que ela não chorava. Isto só para dar uma ideia da sua adaptação.

No dia 1 de Setembro, fez a sua primeira estadia, ainda que curta, na creche aqui da terra. Nessa primeira semana só foi para a creche de manhã. Chorava um pouco à chegada, mas na semana seguinte deixou de chorar e passou a ficar lá o dia todo, ainda que curto. Em geral, das 9h30 às 16h30. Desde que para lá foi já ficou doente 3 vezes, na maioria devido a viroses, que atacaram a garganta e/ou o sistema digestivo (diarreia). Já estavamos à espera desta situação, apesar de eu ter a esperança que ela fosse um dos casos excepcionais das crianças que poucas vezes adoecem!

Ela gosta da creche, apesar de preferir ficar com a mamá, claro, pelo menos para já. A educadora, Vera, muito atenciosa, diz que ela se dá muito bem com os outros meninos e que gosta de participar em actividades. A Iris até já trouxe umas pinturas feitas por ela para casa! Descobriu a escrita e a pintura! Já sabe pegar no lápis de uma forma correcta, apesar de não perfeita, e escrever /riscar.

A Iris já anda muito bem e iniciou, há pouco tempo, as suas primeiras tentativas de subir para cima de objectos - para além de escadas. Gosta de tudo o que é telefone ou se parece com ele, como os comandos da televisão e gosta de pulseiras e de relógios. E de gatos e cães! Tartarugas, galinhas e coelhos. Adora os meus sobrinhos. Gosta também das minhas irmãs e dos avós, claro. Já reconhece e aponta, se lhe disser o nome, para muitos deles. No entanto, a Iris tem desenvolvido pouco a fala (tem até quase regredido em relação aos últimos tempos que passamos na Austrália). Acho que anda muito entretida em conhecer e se adaptar a esta nova realidade da sua vida. São muitas, muitas coisas e pessoas novas. Já lhe nasceram mais dentes, num total de 10, incluindo 2 molares; um outro molar, está mesmo ali à espreita para dar a cara, com uma pontinha já quase de fora. Hoje adormeceu deitada em cima de mim, para não variar, e deliciada com uma pequena massagem nas costas.

E hoje fico por aqui. Para a próxima, fica prometido um post sobre a minha perspectiva do regresso e a minha nova vida no nosso país.

sábado, 12 de julho de 2008

Feitos

O Armando foi trabalhar, fazer o turno da noite. Cá fico eu a passar uma noite solitária, apesar de agora um pouco menos do que antes, pois tenho a companhia da catraia. Estamos no mês mais frio, o que significa, em geral, temperaturas mínimas de 8 ºC. As casas são mal isoladas e, por isso, na cama, o edredão é bem vindo. Aliás, sabe mesmo bem!

Nos últimos dias temos seguido o Tour de France. É transmitido à noite, ao invés de à tarde, como em Portugal. Têm vantagem aqui os trabalhadores! Claro que a razão está na diferença horária. Costumamos seguir vários eventos desportivos que são transmitidos na televisão. A Austrália é uma terra de muitos atletas. Nos Jogos Olímpicos de Sydney foi o 4º país com mais medalhas per capita, contra os Estados Unidos que vêm em 46º e Portugal em 55º na mesma lista.

Hoje deixo as notas sobre a Austrália por aqui. Acho mais interessante contar - e respeito a opinião de alguns leitores que poderão não concordar - que a nossa pequena já anda. Há cerca de 2 semanas que deu os primeiros passinhos. É muito giro observá-la. Ainda gatinha, mas já se aventura em curtas distâncias, na posição que mais convém à espécie do Homo Sapiens Sapiens. Também faz outras coisas que eu e o Armando estivemos, estes dias, a enumerar:
- faz barulhos, fazendo movimentos com a mão na boca,
- liga e desliga interruptores,
- atira a bola com as mãos,
- aponta para coisas,
- indica onde estão o umbigo, a orelha e o nariz,
- brinca às escondidas escondendo-se atrás da cortina,
- vira páginas,
- procura e encontra objectos escondidos,
- diz mamá, papá e olá,
- come com as mãos,
- dá-nos comida e objectos para brincar,
- sobe escadas,
- faz adeus com as mãos,
- sorri a estranhos,
- bebe água pelo copo,
- dança ao som da música,
- liga e desliga a televisão de propósito,
- anda.
É uma questão de ensiná-la. Ela aprende rápido, como a maioria dos bébés, claro.

Hoje estivemos em mais uma festa de aniversário, desta vez da Lela; amanhã é a do Konrad; os dois celebram 1 anito de idade. Disse que hoje não escrevia mais notas sobre a Austrália, mas não resisto. Não é nada incomum, aqui por terras de sua majestade, festejarem os aniversários antes da data, como é o caso da Lela, que apenas faz anos no dia 16 e o Konrad no dia 14 deste mês. Este fim de semana, também a Cocoro, foi com os seus papás festejar o seu primeiro aniversário a Sydney, junto com os avós e, imagine-se, ela só faz anos 1 dia antes da Iris, ou seja a 22 de Julho. Hoje é dia 12 de Julho. Curioso e esquisito.

Nós vamos deixar os festejos do primeiro aniversário da Iris para depois de a tia Teresa e amigos chegarem cá para férias, a 29 de Julho. Mal podemos esperar pela chegada das visitas!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Curiosidades

Hoje é Sexta-feira. Acabou-se a semana de trabalho para mim. Tenho estado a correr contra o tempo para acabar a síntese dos compostos que iniciei, antes do regresso a Portugal. A semana do Armando ainda vai a meio. Geralmente, ele trabalha ao fim de semana, para ficar com a Iris durante os dias em que trabalho. É noite e a Iris está a dormir. Eu tenho assim um tempo disponível para me sentar ao computador.

Hoje, iniciámos o dia tristes... Portugal foi eliminado pela Alemanha, nos quartos de final do Euro2008. O jogo iniciou-se às 4:45 da manhã, hora local.


Amanhã, eu e a Iris, vamos a um aniversário de uma bébé que nasceu no mesmo hospital da Iris, a Tia, assim mesmo se chama ela e o nome lê-se tal como em português. A mãe dela fazia parte do grupo de mamás e papás das aulas pré-natais do hospital. De tempos a tempos lá nos encontrámos todos (ou os que se manifestaram interessados desde o início... 6 casais). Duas das mamás não trabalham, ficam a olhar para os bébés e outras três, eu incluída, trabalham a tempo parcial. São situações muito comuns por aqui, sendo uma das razões o preço que se paga no infantário, e outra o facto de as mamás serem muito protectoras.

A nossa minhoquinhas Iris continua a ocupar muito do nosso tempo. Já se nota tão bem que tem uma personalidade própria! Muitas vezes, já sabe o que quer e encontra forma de o exprimir, tal como, o vir para o pé de nós e puxar as nossas calças – ou os pêlos do Armando quando ele está de calção! - para pegarmos nela ao colo ou brincarmos com ela. Ainda mais interessante é o humor dela. Tal como qualquer pessoa, tem dias em que está muito bem disposta, brinca sozinha, ri, etc, e outros em que é mais rezingona e requer mais atenção. Ainda não anda sozinha, mas começa a achar graça a andar com o nosso apoio. Come cada vez mais e esta semana passamos a dar-lhe 150 ml de leite cada vez que bebe leite, excepto de manhã, em que o apetite dela não é muito grande. Sai à mãe!.... Estamos também a iniciar duas vezes por dia refeições de sopa, arroz ou massa, com legumes e carne ou peixe.

Há dois fins de semana atrás fomos fazer uma pequena caminhada no Mt Glorious, aqui perto. É uma zona protegida de floresta tropical que faz parte da grande cadeia montanhosa que existe ao longo do litoral interior, a Este, na Austrália. Em certas zonas, a floresta era tão densa que parecia quase noite. A Iris viajou na mochila para transportar bébés que nos emprestaram. Gosta muito, palra e olha para todo o lado, curiosa. Claro, ao fim de algum tempo fica cansada por estar sempre na mesma posição.

No fim de semana anterior a esse tivemos cá visitas para jantar. Resolvemos fazer chanfana que, curiosamente, vimos como se fazia num programa sobre culinária de muitos países, aqui na SBS, a equivalente à nossa RTP2. Foi a primeira vez que fizemos esse prato, mas ficou muito boa. Para quem estiver interessado a receita, descrita e em vídeo, está em:
http://www21.sbs.com.au/foodsafari/index.php?pid=recipe&cid=82. Acho que começo a ficar influenciada pelos inúmeros websites e blogs sobre culinária que se encontram na web! Quem diria!

Esta semana recebemos um convite para o casamento da minha colega de trabalho Nicole e o noivo James, com quem almoçamos quase sempre na universidade. Eu já cá não vou estar e o Armando não quer ir sozinho, claro, mas foi um gesto bonito. Demonstram que gostariam de ter a nossa presença. Contudo, o mais interessante é mesmo que ninguém ficaria surpreendido se eu resolvesse viajar para cá para vir ao casamento deles. Aqui, num país tão grande, é comum as pessoas viajarem de avião, entre estados e maiores cidades só para irem a um casamento, ou mesmo festa de noivado, que ainda se usa por cá. Mas não são só pessoas de cá que viajam. Acontece mesmo de virem familiares da europa que, claro, aproveitam para fazerem férias e para visitarem família. Quer por razões geográficas, quer pela cultura, os membros de muitas famílias vivem muito afastados uns dos outros. Quero com isto dizer, irmãos e pais, por exemplo. É mesmo comum viverem em estados diferentes, que é como quem diz em países diferentes, se falarmos em termos de distâncias europeias. Assim, aproveitam também os casamentos, etc para se juntarem. A família aqui não tem o mesmo significado que na cultura portuguesa.

Lembrei-me agora de uma outra curiosiadade. Certamente que toda a gente tem conhecimento das páginas de jornais em que é possível colocar anúncios para encontrar um parceiro/a. Um dia resolvi olhar para essa página de um jornal local. Comecei a ler e ... bem, qual não foi a minha surpresa quando reparei que cerca de 2/3 dos anúncios eram de pessoas acima dos 50 anos ou talvez mesmo 60, de ambos os sexos! O divórcio e o amor, por cá, não escolhem idades! E também havia uma parcela para homossexuais!

Estamos na Austrália, um país diferente, em muitos aspectos...

domingo, 11 de maio de 2008

Notas de mãe

Hoje é dia da mãe, aqui na Austrália, o 2º Domingo de Maio. A minha filhota ofereceu-me uns bonitos presentes: um postal, um livrinho com pensamentos e imagens e uma caderneta de cheques de amor, com promessas para ela cumprir quando for grande, do tipo, "Prometo fazer a cama todos os dias durante um mês". Claro, pelas mãos do papá.

Assim, este post será sobretudo dedicado a ela e às minhas impressões. Mais umas novidades, uns registos, para amigos e família e para a posteridade, de uma mãe babada, claro.

Ontem estavamos a brincar com a Iris, a segurar a chupeta dela com a nossa boca - obviamente pela parte que ela não chucha - e ela estava a achar muita piada. Eu fiz isso e depois o Armando também fez. De seguida, ela ofereceu-me a chupeta para eu voltar a fazer o mesmo! Ou seja, ela não só gostou do jogo, como já sabe participar nele!

Também a semana passada, pela primeira vez, ela acenou para dizer tchau, tchau ou bye, bye e, entretanto, já repetiu isso umas quantas vezes. É muito interessante observar estas pequenas coisas, para nós, mas grandes etapas no desenvolvimento do cérebro de um bébé.

Outra coisa que a Iris já é capaz de fazer, há mais de 2 semanas é descobrir objectos que escondemos. Quando começamos a fazer essa brincadeira, escondendo, por exemplo, o telemóvel debaixo de um pano, mesmo à frente dela, ela ficava a olhar e não era capaz de levantar o pano, não percebia o que tinha acontecido, mesmo que fizessemos esse jogo devagar, ou lhe mostrássemos o telemóvel, levantando o pano. Depois de repetir a brincadeira meia dúzia de vezes, nos dias seguintes, clic!, ela descobriu e agora temos que esconder as coisas bem escondidas. Noto que ela só gosta do telemóvel para meter na boca e, essencialmente, porque é um objecto proibido, por essa mesma razão.

Fomos passar 2 dias a uma ilha cá perto, "North Stradbroke Island" para festejar o nosso 2º aniversário de casamento. Esteve bom tempo e fomos até à praia. Em idas anteriores à praia, a Iris não gostava muito da areia. Desta vez, adorou, gatinhou, espalhou areia por cima dela própria e até comeu... Estavamos numa zona em que tinha um pouco de areia molhada, aos montinhos que pareciam pedrinhas, pelo menos para ela. Conclusão... ela tentava agarrar essas pseudo pedrinhas e metê-las na boca. Não deve ter gostado muito, porque não repetiu a brincadeira muitas vezes.

Tomou banho, chapinhou e gatinhou num lago dessa ilha e, uma altura, quando já estava vestida e sentada na areia da berma, ía a fugir-nos para voltar para a água. Gosta da água. Na natação, na última semana, a professora deixou-a sozinha, apenas apoiada num rolo de esponja e ela lá se moveu, batendo com os pés...

Quanto a deslocar-se continua a correr a casa, ora de gatas, ora agarrada aos móveis, de pé. Quando tentamos que ela se segure de pé sem apoio, geralmente, ela não quer e abaixa-se. Por vezes, coopera e, nessas alturas, consegue aguentar-se de pé sozinha uma meia dúzia de segundos. Vai onde quer, por isso não está para correr mais riscos e tentar andar. Falando em riscos, podemos observar que ela já tem noção das alturas. Já sabe que se tentar descer o degrau da porta pode cair e não tenta fazê-lo. Também sabe que não pode atirar-se abaixo da nossa cama. Agora ela pára e não continua, mas antes, se a deixássemos, atirava-se abaixo da cama a tentar agarrar algo ou, simplesmente, quando estava a gatinhar. Claro que, mesmo assim, não a deixamos sozinha em cima da nossa cama! É capaz de ter aprendido quando tentou descer um degrau e quase caiu - eu agarrei-a mesmo a tempo - ou simplesmente, é mais um desenvolvimento normal do seu cérebro.

Mas, o que mais nos fascina é a sua interacção social. Sorri para quase toda a gente. Ainda hoje, estava no café, e ela estava no chão. Começou a olhar e a sorrir para um homem numa mesa ao lado, à espera de uma resposta. O homem nem notou. Quando uma senhora de outra mesa olhou para ela e sorriu, ela sorriu logo em resposta. Depois foi até lá, sem medo, para explorar e para mais "conversa". Fica especada a olhar quando ouve e vê pessoas a falar outra língua, como os chineses lá do AIBN, o instituto onde trabalho. É muito engraçada essa situação.

Já conhece bem as músicas do CD com as músicas australianas e agora começa a reconhecer as de outro CD que costumamos pôr. No início não gostava, mas já se habituou aos novos sons. Interessante que ela dança ao som das músicas quando o CD está a tocar ou quando nós cantamos essas músicas, mas se cantarmos músicas portuguesas - cuja parte instrumental ela nunca ouviu - ela não dança. De certeza que reconhece os sons, tantas vezes eu já cantei o "Atirei o pau ao gato", por exemplo, mas falta a música, o ritmo e ela não dança (ou eu sou má cantora!).

Come bem sopa, papas, iogurte e adora pedaços de fruta. Ainda não usamos sal, nem açúcar, mel ou frutos secos. De resto, come tudo. De dia dorme, às vezes duas vezes, outras só uma, às vezes, adormece facilmente, outras só quer brincar. À noite, vai para a cama por volta das nove e acorda por volta das 5 da manhã para mais uma dose de leite. Dorme depois até às 8-9 horas.

Escrevi um pouco sobre tudo, na esperança de um dia ajudar a memória a recordar estes bonitos tempos.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Cravos, papoilas e radiotelescópios

Na Austrália o 25 de Abril também é celebrado. Não a nossa revolução, claro. Aqui o símbolo usado não é o cravo, mas a papoila. É feriado. É o "ANZAC day". Surgiu como o dia em que eram lembrados os soldados australianos que participaram - e mais de 8000 morreram - na batallha de Gallipoli, na Turquia, em 25 de Abril de 1915, na 1ª Guerra Mundial. Na verdade os australianos faziam parte do exército britânico. ANZAC provém de Australian and New Zealand Army Corps. As celebrações, actualmente, lembram e simbolizam o respeito por todos aqueles que lutam, lutaram e morreram em guerras, na defesa do país e dos seus valores. Inicia-se com uma cerimónia antes da alvorada - como recordação dos momentos de paz e quietude que os soldados da batalha sentiram, antes do desembarque ao nascer do Sol, na península de Gallipoli. Prossegue, durante o dia, com desfiles de batalhões e corpos de exército, presentes e passados.

Nós fomos ver o desfile. Os três, eu o Armando e a Iris, claro. Foi emociante. Eu que não sou australiana bati palmas, especialmente aos senhores idosos, mas orgulhosos que desfilavam com as medalhas ganhas pelo desempenho na 2ª Guerra Mundial - terão agora à volta de 80 anos. Claro que alguns daqueles batalhões já só têm meia-dúzia de sobreviventes, ou menos. É muito interessante. É um dia de orgulho nacional. Não se comemora a guerra, mas a coragem. Presta-se homenagem aos soldados, às famílias e a outros intervenienetes, como médicos e enfermeiros. Infelizmente, não levamos a máquina fotográfica.

Que bom, dissemos nós, vamos poder comemorar o ANZAC day com a nossa filha em Portugal, juntamente com o nosso 25 de Abril. A nossa filhota Iris que fez recentemente 9 meses. Ainda não anda, mas está quase. Já se mantém de pé sem apoio uns segundos. Despontou, há uns dias, o seu 3º dente e o 4º está lá a espreitar.

Fomos a Sydney há 2 semanas. Ela portou-se muito bem. Foram um total de 2600 Km de carro durante os quais tivemos que usar muita da nossa imaginação e todas as canções do nosso reportório infantil para a manter feliz, presa no assento de bébé. Ficou doente pela primeira vez. Teve febre e diarreia. Não por causa da viagem; apanhou um vírus da Cocoro antes de ir (uma bébé que conhecemos da mesma idade). Mas melhorou rapidamente. Teve que tomar panadol, que tem um sabor horrível e, obviamente, ela detestou.

Fomos pelo interior e viemos pelo litoral. Vimos plantações de algodão, cana de açúcar, banana e outros. Apenas 2 cangurus atravessaram a estrada um pouco à nossa frente, felizmente... Eles podem causar muitos danos nos carros e ocupantes. No interior, talvez metade do trânsito que passava por nós era camiões. Imagine-se que estes têm uma grades bem potentes na frente, para se protegerem do impacto desses bichos que podem ser bem grandes... os cangurus. Vimos muita terra! Mais para o Sul, no interior, mas já relativamente perto do litoral, cidades como Orange podem ser imaginadas como existindo na europa, com muito verde, plátanos e construções mais resistentes aos frio. A meio caminho entre Orange e Sydney ficam as Blue Mountains. Na realidade não são bem montanhas, mas antes uma floresta com elevadas formações rochosas e gargantas que fazem lembrar desfiladeiros ou canyons cobertos de uma densa floresta verde, aliás, com uma tonalidade azulada!

Visitámos o radiotelescópio de Parkes que esteve envolvido na recepção das primeiras imagens do Homem na Lua e no salvamento da Apolo 13. Continua a ser utilizado em investigação e nós tivemos a sorte de presenciar a rotação do enorme disco de 64 m de diâmetro para focagem de outro ponto no espaço.

Sydney, bem, já toda a gente conhece, com a sua famosa ponte onde especialmente se celebra a entrada em cada novo ano, a sua baía e a sua famosa ópera. O centro é muito bonito. É uma cidade muito grande, em extensão pelo menos, com muitos subúrbios e tráfico automóvel que me fizeram recordar um pouco Londres.

Regressamos com paragem em várias praias e estuários, tudo muito bonito.

segunda-feira, 24 de março de 2008

8 meses

É uma aventura, para nós, ver a Iris crescer. Mas, quem vive a maior aventura, é a própria Iris. Ultrapassar todas as barreiras que a natureza lhe exige para sobreviver, traduz-se numa procura constante de coisas novas, numa luta permanente para desenvolver o seu corpinho e mente.


Passou rapidamente da fase de gatinhar para a fase de se levantar e querer chegar a tudo o que está mais acima. Já utiliza a cadeira como andarilho e já sabe contornar obstáculos para chegar onde quer como, por exemplo, almofadas postas propositadamente no caminho dela.


Para além deste desenvolvimento do seu pequeno mas extremamente activo cérebro, o que mais nos
surpreende é o facto de já entender quando está a fazer alguma coisa que nós não queremos, como seja, por uma folha na boca que apanhou do chão ou tentar ir mexer num interruptor eléctrico. Quando nós dizemos ahh, ou ai, ai, não, ou simplesmente chamamos pelo nome dela com uma entoação diferente, ela sabe que não deve fazer isso e pára; às vezes, desiste, outras, claro, acaba por tentar repetir, momentos mais tarde. Adora todo o tipo de jogos e de brincadeiras; desde que seja estimulada e acarinhada, está feliz. Começa a combater o momento de dormir as suas sestas já que o mundo que a rodeia lhe parece, certamente, muito mais interessante. Está bem desenvolvida, um pouco à frente para a idade. Fez ontem 8 meses - 8 meses de aventura que ela e nós desconhecíamos.